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Startups dos EUA querem criar o ‘Uber da assistência médica’

Os serviços oferecem seguro contra erros médicos, mas informam que as despesas gerais baixas mantêm os preços baixos.

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Publicado em: 27 de agosto de 2015

Darren Gold estava com um vírus estomacal na primeira vez em que usou um aplicativo chamado Heal (Cura, em inglês) para chamar um médico para ir até sua casa em Beverly Hills, em Los Angeles, na Califórnia. Ele gostou tanto do médico que o atendeu, formado em Standord, que usou o Heal novamente quando seu filho de dois anos teve febre e ainda outra vez quando toda a família pegou um resfriado. O custo — US$ 99 para cada uma das duas primeiras visitas; US$ 200 para a da família — não é coberto pelo plano de saúde, mas Gold, que é dono de uma empresa que faz caixas de papelão, diz que, mesmo assim, ainda é uma pechincha em comparação ao custo do tempo gasto para ir ao médico. “Agora, quando meu filho se machuca, ele diz: ‘Papai, precisamos chamar um médico aqui’”, diz Gold.

A Heal é uma das várias “startups” que estão adicionando uma pitada de alta tecnologia à antiga “visita médica”, que pode ser realizada em qualquer lugar. Os serviços fornecem um leque de assistência médica não emergencial — desde vacinas contra gripe até o tratamento de inflamação na garganta e suturas em cortes —, funcionando como um pronto-socorro móvel.

As empresas usam modelos ligeiramente diferentes. A Pager, de Nova York, envia médicos ou enfermeiras através do Uber por US$ 200. O Heal, em Los Angeles, San Francisco e Orange County, na Califórnia, promete “levar um médico para seu sofá em menos de uma hora” por US$ 99. A RetraceHealth, de Minneapolis, oferece uma consulta com uma enfermeira via vídeo por US$ 50 que apenas vai até a casa dos pacientes se cuidados manuais são necessários, como checar a garganta ou coletar sangue, por US$ 150. A MedZed, de Atlanta, envia uma enfermeira para a casa do paciente para fazer um exame preliminar. Então, a enfermeira se conecta através de um laptop com o médico, que fornece um plano de tratamento remotamente.

Tais empresas são impulsionadas por uma confluência de tendências, como o crescente interesse na chamada economia compartilhada, onde a tecnologia conecta fornecedores com excesso de capacidade e consumidores que querem serviços sob demanda. Muitos médicos e enfermeiras que trabalham em hospitais estão procurando trabalho extra em seu tempo de folga, de acordo com as empresas. Os serviços oferecem seguro contra erros médicos, mas informam que as despesas gerais baixas mantêm os preços baixos.

E graças ao boom nas tecnologias médicas móveis, os fornecedores podem levar os equipamentos básicos com eles, como analisadores de sangue portáteis e ultrassons manuais. Essas empresas estão atraindo investimentos de capital de risco e parcerias com sistemas hospitalares, que cada vez mais veem nos serviços a domicílio uma forma de reduzir visitas e readmissões desnecessárias a prontos-socorros.

Os sistemas de saúde “estão experimentando muitas opções diferentes para dar aos pacientes o nível correto de cuidado”, diz Pam Nicholson, diretor de iniciativas estratégicas da Centura Health, a maior rede de hospitais do Colorado. A Centura está se unindo à True North Health Navigation, uma startup de Denver que oferece cuidados no local para aqueles que chamam números de emergência como uma alternativa aos caros translados de ambulância até os prontos-socorros.

Analistas dizem que não está claro se muitos dos novos serviços sob demanda reduzirão os custos para aqueles pacientes com doenças crônicas — ou se apenas tornará mais conveniente para aqueles saudáveis e ricos terem uma assistência dispensável.

Muitos dos serviços se autoproclamam o “Uber da assistência médica” — mas, até o momento, eles não geraram o tipo de oposição de médicos tradicionais que o serviço de compartilhamento de caronas provocou entre os motoristas de táxi. Em parte, isso se deve ao fato de as empresas de visitas médicas serem pequenas e novas e porque elas empregam profissionais médicos licenciados — normalmente médicos e profissionais de enfermagem com experiência em medicina de emergência e primeiros socorros, que buscam ganhar um dinheiro extra no tempo livre.

Alan Ayers, porta-voz da Associação de Atendimento de Urgência da América, um grupo setorial, diz que as clínicas de atendimento de urgência oferecem os mesmos serviços que as empresas de visitas médicas residenciais de forma muito mais eficaz. Alguns médicos de consultório temem que ligar para médicos como se fossem corridas de táxis irá fragmentar ainda mais a assistência médica e interferir na relação entre médico e paciente. 

Matéria completa: http://br.wsj.com/articles/SB11049606939973464181604581174901989843350?tesla=y
Edição: F.C.

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