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O futuro da internet 2019, segundo Mary Meeker

Já saiu o relatório de tendências digitais mais aguardado do ano, veja aqui um resumo dos principais pontos.

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Publicado em: 29 de julho de 2019

Todo ano, a investidora Mary Meeker faz uma loooonga apresentação (são mais de 300 slides) com tendências e dados sobre digital. O documento, que vem sendo feito desde 1995 (alô, linha discada), apresenta o “Estado da Internet” no mundo, revisita tendências passadas e trás novos dados para definir o que será importante ou não no mundo digital. O material completo com as principais tendências da internet para 2019 foi apresentado essa semana e já está disponível para download. Se você estiver sem tempo para ler um report com 333 slides, sugerimos que você assista a própria Mary apresentando o material: 

Abaixo estão os pontos mais interessantes para quem trabalha com social video, conteúdo e influência:

1. Tá saturado!

Hoje somos 51% da população global conectada (3.8 bilhões de pessoas), mas o ritmo de penetração da internet caiu, era de 7% ao ano, agora já está em 6%. Tem tanta gente online que está cada vez mais difícil trazer novas pessoas para dentro da brincadeira. Essa tendência é acelerada pela estagnação na venda de smartphones, o que já havia sido apontado no report de 2018, e se confirma com o crescimento negativo do setor (-4% de vendas).

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2. Tá caro conseguir cliente
O custo de aquisição de novos clientes online está subindo tanto que quase não vale a pena investir para atrair gente nova para nossos negócios. Isso se torna insustentável, já que o custo para adquirir o cliente, muitas vezes, ultrapassa o faturamento que ele pode gerar para empresa. Mary aponta que o foco das marcas deve ser em amplificar recomendações e histórias de consumidores que já compram e gostam do produto. É mais barato maximizar o consumidor feliz do que ir atrás de novos. (A pirâmide de vendas hoje está invertida. Não dá mais pra falar com um monte de gente pra tentar captar um lead qualificado. O esquema é inverter a ordem e fazer o seu cliente já convertido trazer outros clientes).

3. Mais tempo e dinheiro na internet
Pela primeira vez, os americanos passaram mais tempo no celular (226 minutos por dia) do que assistindo TV (216 minutos). No total, eles passam 6,3 horas por dia no digital. Nos EUA, anúncios em mobile subiram para 33% na fatia total do dinheiro de publicidade. Era 0.5% há 8 anos. Os gastos com publicidade online cresceram 22% por ano. Desse total, 62% é investido em mídia programática e a grande maioria continua indo para o duopólio Google/Facebook, mas Amazon e Twitter começam a ganhar tração e roubar uma fatia do bolo.
(FYI: o IAB Brasil acaba de divulgar seu relatório sobre publicidade online: digital recebe 33% da verba de publicidade brasileira. Desse bolo, estimado em 16 bilhões de reais, 67% vai pra mobile, 66% pra dupla Facebook/Instagram, 54% pra ações de performance e 26% para posts patrocinados).

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4. Novas ferramentas da publicidade digital
O relatório de Meeker traz alguns exemplos de ferramentas oferecidas pelas plataformas que ajudam as empresas a se conectarem com o cada vez mais complexo e fragmentado consumidor online: customização de audiência (assertividade na comunicação e no target); machine learning (dados que informam a criatividade e possibilidades de edição de campanhas em tempo real); transações (tudo agora é comprável nas plataformas sociais, com foco em Instagram e Pinterest); Relevância (marcas conseguem estar no lugar certo, na hora certa, falando a coisa certa. 88% das pessoas usa mais de um device digital quando assiste TV e 71% procura por conteúdo relacionado ao que estão assistindo).

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5. A treta da privacidade
Como previsto, a privacidade é um dos temas mais importantes da conversa digital agora. Em 2019, 87% de todo tráfego de dados na internet é encriptado. Há 3 anos, eram apenas 53%. As leis mais estritas sobre proteção de dados está forçando as empresas de tecnologia e as plataformas sociais a pensarem em como embutir soluções de privacidade no desenho de seus produtos ou serviços. Vale lembrar dos últimos anúncios do Facebook (fizemos um resumo do “The Future is Private” aqui), e também da Apple, que já está explorando o tema da privacidade como oportunidade de negócio. Do lado da publicidade, o tema e as novas leis causam problema para quem precisa entregar anúncios dirigidos e segmentados.

6. A fragmentação digital
Olha esse gráfico aí embaixo: nossa atenção no digital está cada vez mais pulverizada e fragmentada… E isso é um ponto sem retorno. Internet não é mídia de massa! Facebook com pequena queda em número de usuários, Youtube e Instagram com os maiores crescimentos. Twitch, Snapchat e Pinterest super sólidos e trabalhados nos nichos e comunidades.

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Uma coisa que não está aí nesse print, mas que tem crescido como “plataforma social” são os games que permitem interação entre os jogadores. Twitch e Fortnite citados como case: a gente joga, assiste, comenta, fala no chat, é uma experiência social importante. Aliás, você tá acompanhando essa conversa de que os games são as novas redes sociais da Gen Z?

7. O poder da imagem
Como produto das câmeras de celulares e dos planos de dados mais baratos, a imagem se tornou a principal ferramenta de comunicação dos nossos tempos. Não tem mais volta e não adianta lutar contra. Pra se ter uma ideia: hoje, 50% dos posts no Twitter contém imagens. No Snapchat, que se define como uma empresa “de câmera”, já temos 40 bilhões de posts por trimestre usando as lentes e filtros do aplicativo.

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O formato “Stories” não para de crescer, já são 1.5 bilhão de pessoas postando diariamente no Facebook, Instagram e Whatsapp. E, pra fechar, olha que forte esse quote do co-fundador do Instagram:

"As pessoas sempre foram visuais — as imagens nos chamam atenção. Escrever era uma quebra, um desvio. As linguagens ilustradas são como todos nós começamos a nos comunicar — estamos nos aproximando de um ciclo, uma comunidade. Estamos revertendo para o que é mais natural. O Instagram sempre foi uma plataforma de comunicação, não uma ferramenta de compartilhamento de imagens. O Instagram desafia a noção de que a beleza vem de uma maneira tradicional e artística… não é sobre beleza, é sobre a história que você conta. Os sistemas de feedback inerentes ao Instagram ajudam aos usuários a melhorar continuamente as habilidades de comunicação" Kevin Systrom, fundador do Instagram


8. Bem estar digital
39% dos jovens americanos disseram que estão quase todo o tempo online, sem desconectar. E 63% afirmam que estão tomando medidas para ficar menos tempo no celular e nas redes sociais. Falar sobre a maneira como a internet e as plataformas sociais nos afeta é URGENTE. No estudo de Mary Meeker apareceu a listinha abaixo, com atributos positivos e negativos que a internet nos trás. Expressão pessoal e identidade aparecem como os fatores mais citados positivamente. Do lado negativo, vem a ansiedade e a depressão.

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Grande parte da motivação para repensar nossa relação com as redes vem da falta de privacidade, da incerteza sobre o que será feito com os nossos dados, e o despreparo (e descaso das plataformas) para lidar com conteúdo agressivo e indesejado (fake news, assédio, bullying, discursos radicais, polarização, etc). A porcentagem de pessoas que acham que a internet traz benefícios para a humanidade caiu: foi de 76% em 2014, para 70% em 2018.


Outras coisas aleatórias que chamaram atenção:
E-commerce: 15% das vendas já passam pela internet;
59% da Gen Z cita o YouTube como fonte principal para aprender coisas;
Já são 2.4 bilhões de pessoas jogando jogos online;
Por questões religiosas ou políticas, 34% da população conectada não têm liberdade para acessar o que quiser na internet;
Todo o capítulo sobre a China é impressionante. Vai da página 293 até 332 e traça um panorama sobre as redes e um dos ecossistemas digitais mais fascinantes do mundo.

 

Fonte: YouPix
Edição: F.C.

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