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 “É importante encarar a doença não como uma sombra, mas como uma possibilidade de recomeço”  

O geriatra da Oncomédica, Ricardo Quirino, fala sobre

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Publicado em: 02 de agosto de 2019
O geriatra Ricardo Quirino é dedicado ao que faz.

Conversar com quem gosta do que faz é uma experiência sempre gratificante. O Dr. Ricardo Quirino, geriatra da Oncomédica, é um desses profissionais que ama a medicina e o contato com o paciente. Qualidades mais do que necessárias em uma especialidade voltada para os cuidados com a pessoa idosa.

Com um trabalho integral na clínica, o médico realiza consultas e faz um acompanhamento permanente junto aos pacientes internados. O contato diário com idosos com diagnóstico de câncer vem, segundo ele, ensinando a importância do ato de ouvir.

O dr. Ricardo explica que esse diálogo é fundamental para saber o que realmente o paciente sente, quer e ainda, para avaliar qual será a melhor abordagem frente ao tratamento. Nesta entrevista, o médico falou também sobre sua trajetória, cuidados paliativos e o respeito pela pessoa idosa.

Gostaria que o sr. falasse um pouco da sua formação e de como começou o seu trabalho aqui na Oncomédica

Eu sou formado pela Universidade Estadual do Maranhão, fiz residência em Clínica Médica no Hospital Heliópolis em São Paulo e residência em Geriatria durante dois anos no Hospital Albert Einstein também em São Paulo. Logo que conclui os estudos, eu vim logo para Teresina e me deparei com o desafio que era fazer o vínculo entre oncologia e geriatria. Para minha felicidade, essa foi uma decisão acertada tanto do ponto de vista da experiência profissional como dos resultados junto aos pacientes.

O idoso em tratamento oncológico precisa de um cuidado ainda maior devido às fragilidades físicas da idade. O que é importante priorizar durante o tratamento?

Qualidade de vida. Adequar o tratamento às condições clínicas do paciente oncológico idoso.

E o que significa qualidade de vida nesses casos?

É conseguir ajudar o paciente a lidar com todos as angústias que o peso da notícia de um câncer traz. Em segundo lugar, propriamente falando da parte médica, é tratar o que chamamos das doenças comuns em pessoas idosas como diabetes, pressão alta, entre outras, pois elas têm um impacto muito grande na saúde desses pacientes. Em terceiro lugar, é ajuda-los a modificar a sua visão sobre a vida. Porque, se você for pensar bem, todos somos finitos, e um dia, seja por doença ou por qualquer outra razão, partiremos daqui. Na geriatria nós trabalhamos também a parte psicológica, conversamos com a família e procuramos ajudar na elaboração de todo esse processo da melhor forma possível.

E sobre a questão dos efeitos colaterais no idoso durante a quimioterapia e demais terapias oncológicas? Como funciona?

Isso é bem interessante. Hoje em dia o tempo cronológico não quer dizer mais funcionalidade. A gente avalia o paciente observando se ele é funcional, se ele consegue se trocar sozinho, se ele consegue interagir com familiares, amigos e como está a memória dele. Um paciente idoso frágil tem menor resistência a possíveis efeitos adversos. Assim, em um acesso de vômito que é esperado em algumas quimioterapias o idoso sofre mais, emagrece mais rápido. Porém, lembre-se que eu falei que tempo cronológico não é a mesma coisa que funcionalidade. Às vezes, um paciente de 80 anos que se cuidou a vida toda, chega nessa idade com um organismo de uma pessoa de 60. Ou seja, 20 anos mais novo, e que, por isso, ele tende a ter uma resistência fisiológica maior e suporta melhor os efeitos colaterais.

O seu trabalho na Oncomédica é realizado em parceria com outros profissionais da área da saúde. Como funciona o trabalho em equipe?

Nós temos uma equipe grande, com enfermeiras, assistente social, psicólogas, nutricionistas, oncologistas, eu como geriatria, ou seja, uma equipe multiprofissional ampla e focada na saúde dos nossos pacientes. Isso porque não tem como a gente tratar uma pessoa com câncer, em especial, o idoso sem esse conjunto de profissionais. No caso específico da geriatria, nós trabalhamos ainda com os cuidados paleativos, quando o foco é o controle dos sintomas. Eu, a Dra Nilshelena (diretora clínica da Oncomédica), a equipe titular, sempre conversamos com o paciente e com os familiares, procuramos esclarecer suas dúvidas e tranquilizá-los. Discutimos também os diagnósticos, as formas de tratamento e se o idoso está apto a recebê-las.

Como é a abordagem da geriatria frente a um paciente oncológico?

A questão da empatia é muito forte na geriatria que trabalha com essa visão mais próxima do outro, de procurar observar e levar em consideração o que o paciente idoso sente e quer fazer a partir das suas opções. Durante a consulta, eu procuro saber tudo sobre ele, quem é aquele paciente, vejo o motivo do encaminhamento do colega oncologista, que normalmente é a necessidade de uma avaliação sobre as doenças características da idade e para saber se o idoso tem condições de fazer ou não a terapia indicada para o seu caso. E mais importante, saber se ele está entendendo o tratamento e o que que ele quer fazer a partir disso.

O que o sr. diz para o paciente que acabou de receber um diagnóstico de câncer?

Eu sempre digo que é importante encarar a doença como uma possibilidade de recomeço. Pode ser uma oportunidade para ele rever certos pontos da vida, redescobrir pessoas, aproximar-se da família, cuidar-se mais, restabelecer relações. E nós trabalhamos justamente essa abordagem, de um tratamento também nesse sentido, de ajudá-lo a enfrentar essa situação, realmente difícil, e de uma maneira menos pesadas. Para isso, partimos do quadro atual dele e estabelecemos estratégias de enfrentamento e metas. É fundamental conhecer os seus desejos, suas aflições, suas dúvidas. Tudo isso faz parte do nosso trabalho. A valorização do tempo e de viver no presente que temos é algo que não serve apenas para quem está tratando uma doença, seja ela qual for, mas para todos nós.

Catarina Santiago

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