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Exposição à luz antes de dormir é mais prejudicial para crianças, diz estudo

Entre 3 e 5 anos de idade, a produção de melatonina, também conhecida como hormônio do sono, é praticamente suprimida pela luz elétrica brilhante.

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Publicado em: 20 de abril de 2018

Um novo estudo da Universidade do Colorado (Estados Unidos) demonstrou que a exposição à luz antes de dormir impacta mais o sono das crianças do que o dos adultos. Isso porque, entre 3 e 5 anos de idade, a produção de melatonina, também conhecida como hormônio do sono, é praticamente suprimida pela luz elétrica brilhante.

No estudo, dez crianças nessa faixa etária foram expostas à luz intensa por uma hora antes de seu habitual horário de dormir. Às 20h, a luz foi desligada, mas a melatonina só começou a ser secretada uma hora depois. Os novos dados foram comparados a um estudo anterior, realizado em 2015, que demonstrava que, em crianças de 9 anos, a secreção de melatonina era reduzida em 37% por conta da luz - o que era menos impactante na adolescência.

Letícia Sosler, neuropediatra e médica do sono no Hospital Israelita Albert Einstein, explica melhor como isso acontece. "A nossa retina é muito sensível ao feixe de luz, principalmente azul [característico de telas de aparelhos eletrônicos]. Como a sensibilidade da criança à luz é ainda maior que a do adulto, isso atrasa seu pico de melatonina, com um impacto maior no sono. Então, o adulto pode até ver televisão e dormir em seguida, mas a criança terá dificuldades. No final das contas, tablets e smartphones, muitas vezes usados para acalmá-las, podem dificultar que elas peguem no sono", conclui.

Segundo a especialista, o atraso artificial no pico de melatonina pode, a longo prazo, comprometer também a qualidade do sono de um modo geral. "Quantidade e qualidade aqui não são equivalentes, mas se a criança tiver que acordar cedo no dia seguinte, o menor tempo de sono pode refletir em seu humor. Se ela estiver irritada, vai demorar a pegar no sono no dia seguinte e assim por deiante. Quando isso se torna um ciclo, temos a queda na qualidade do sono", conta. E tudo isso, com o passar do tempo, pode se refletir negativamente, por exemplo, no desempenho escolar e na saúde.

Também há uma questão fisiológica por trás disso. Conforme crescem e chegam à adolescência, o pico de melatonina já é naturalmente atrasado, como explica o pediatra Gustavo Moreira, do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Antes dos 10 e depois dos 40, as pessoas costumam ser matutinas. Na adolescência, tendem a ser vespertinas, o que significa que dormem mais tarde e também acordam mais tarde. Isso é natural", afirma. Com o advento da luz elétrica, no entanto, acabamos aumentando consideravelmente o período claro e esses horários ficam cada vez mais irregulares, segundo o pediatra. O que pode levar a inúmeros prejuízos, como já demonstraram outros estudos, da obesidade à depressão - tanto na infância quanto na vida adulta.

Fonte: Crescer
Edição: A.N.

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