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Desenhos-estórias ajudam crianças com fobia de dentista

Instrumento de avaliação em psicologia se mostrou um recurso eficaz para o tratamento de crianças e adolescentes que apresentavam fobia de dentista.

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Publicado em: 30 de outubro de 2009

Um instrumento de avaliação em psicologia denominado ?Procedimento de Desenhos-Estórias? se mostrou um recurso eficaz para o tratamento de crianças e adolescentes que apresentavam fobia de dentista. A pesquisa foi realizada pela odontopediatra e psicanalista Fátima Cristina Monteiro de Oliveira em seu mestrado pelo Instituto de Psicologia (IP) da USP.

O trabalho pode ajudar odontopediatras no atendimento de crianças que apresentam este tipo de fobia e também pode evitar a necessidade de sedação desses pacientes, visto que muitos só conseguem ser atendidos por dentistas se estiverem sob efeito de sedativos.

Outro benefício é que as crianças e adolescentes passam a elaborar melhor esses medos, apresentando menos angústia e mais tranquilidade diante deles. ?A fobia que a criança e o adolescente têm diante do dentista é muito maior do que se imagina e traz angústias e medos muito profundos. Quando não tratada adequadamente, essa fobia pode se cristalizar na vida adulta?, comenta a pesquisadora.

Foram avaliadas 15 crianças e adolescentes com idades entre 7 e 14 anos, da cidade de São Paulo, encaminhadas à pesquisadora por dentistas que não conseguiam atendê-los devido à fobia que esses pacientes apresentavam. ?Durante a consulta, eles choravam, não deixavam aplicar a anestesia, pulavam da cadeira, fechavam a boca de uma maneira que impedia o acesso dos dentistas, entre outras ações que impossibilitavam o atendimento?, explica Fátima Cristina. ?Os pacientes com dois ou três anos chutavam ou tentavam morder o dentista?, conta.

A maioria dos profissionais conhecia a pesquisadora e sabia que ela estava realizando uma pesquisa sobre o tema. De acordo Fátima, existem várias técnicas usadas para atender crianças e adolescentes com fobia de dentista.

Mas no caso desses 15 pacientes, mesmo com o uso dessas técnicas, não foi possível realizar atendimento. Por isso elas foram encaminhadas à pesquisadora.

Fátima explica que o Procedimento Desenhos-Estórias é um instrumento criado na década de 1970 pelo professor Walter Trinca, do IP, usado para investigação clínica de personalidade. Como o próprio nome diz, essa investigação ocorre por meio da análise de desenhos associados a estórias criadas pelo paciente e da intervenção do psicólogo ou psicanalista.

Existem mais de 100 pesquisas que fizeram uso deste instrumento, em temas como câncer de mama, esquizofrenia, pacientes hospitalizados, grávidas com medo da gestação, entre outros exemplos, sendo que o estudo de Fátima foi o primeiro a utilizá-lo em odontopediatria.

Ela explica que a aplicação do procedimento consistiu em pedir às crianças e adolescentes para fazerem cinco desenhos ligados ao medo que sentiam do dentista e contarem cinco estórias associadas a cada um desses desenhos. Com isso, eles conseguiam verbalizar o próprio medo. A psicanalista fazia intervenções comentando algo ligado a estória que o paciente contava. Cada sessão durava 50 minutos.

Medos verbalizados
Essa dinâmica possibilitou que, a partir da verbalização dos medos da criança, a psicanalista conduzisse a sessão psicoterapêutica de maneira que esses medos pudessem ser entendidos e, muitas vezes, minimizados e até superados.

?Um dos pacientes desenhou uma boca grande e uma injeção que era maior do que a criança apresentada no desenho. A agulha da injeção era grande o suficiente para atingir os ossos da boca, fazendo a criança do desenho sentir muita dor?, conta. ?Uma das intervenções consistiu em um esclarecimento sobre o real tamanho da injeção usada pelos dentistas e ao fato de que a agulha não atingia os ossos da boca?, conta.

Segundo a pesquisadora, é necessário respeitar a individualidade dos paciente, pois cada um deles responde de uma maneira específica às intervenções. ?Alguns fizeram cinco desenhos, outros apenas um desenho, cada um segundo seu próprio ritmo e isto deve ser respeitado durante as sessões?, comenta.

Dos 15 pacientes que participaram do estudo, 14 conseguiram superar o medo e ser atendidos pelos dentistas. Outros três, além desses 15, abandonaram o tratamento antes do final da pesquisa. ?O Procedimento Desenhos-Estórias não é um tratamento mágico, que vai acabar com a fobia de uma hora para outra, mas vai ajudar a criança e o adolescente enfrentar o próprio medo?, ressalta.

Fátima aponta que esse tipo de fobia atinge crianças e adolescentes de todas as classes sociais. Por isso, ela acredita que deveria existir um atendimento especializado que fosse disponível para todos em universidades e hospitais públicos.

Segundo a pesquisadora, atualmente não existe o uso do Procedimento Desenhos-Estórias para tratamento de fobia de dentista em crianças e adolescentes. Entre os procedimentos usados, Fátima cita a sedação inalatória com óxido nitroso; o ato de segurar a criança na cadeira; distrair o paciente com filmes, desenhos e fantoches; a técnica do condicionamento gradual; de relaxamento, entre outras.

?Esses tratamentos visam apenas que o paciente possa ser atendido pelo dentista e não leva em conta a abordagem do medo na criança e adolescente?, destaca.

 

Fonte: Agência USP de Notícias
Edição: F.C.
30.10.2009

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