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9 passos para uma infância bem nutrida

Sejamos sinceros: às vezes é difícil fazer a criança experimentar um alimento novo e saudável. Veja alguns truques baseados na ciência para ela comer melhor

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Publicado em: 22 de dezembro de 2016

Uma pesquisa com quase 75 mil adolescentes brasileiros mostrou que 25% estão acima do peso. Para evitar que as crianças de hoje sigam a mesma toada, é fundamental cuidar do hábito alimentar desde cedo. Aprenda o que funciona na batalha à mesa.

1. Não minta sobre o alimento

A criança ama batata e odeia chuchu. Aí, muitos pais dão de espertinhos e bolam o seguinte plano: “Vou dizer ao meu filho que o chuchu é um tipo de batata, só que lá da Tailândia”. E sabe o mais engraçado? Muitas vezes funciona.

Mas, assim que ele notar o truque (e isso ocorrerá), o elo de confiança entre pais e filho ficará estremecido. “É provável que a criança não queira mais ver aquela comida na mesa”, avisa a nutricionista Priscila Maximino, do Centro de Dificuldades Alimentares do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo.

Sem falar no receio de experimentar novos ingredientes (e se for chuchu outra vez?). Em experimentos conduzidos na Universidade de Toronto, no Canadá, o pesquisador Kang Lee descobriu ainda que enganar os pequenos sempre pode fazer com que virem adultos mentirosos.

2. Seja firme diante da birra

O enredo do drama muitas vezes começa com o baixinho recusando o prato de comida. Em pouco tempo, porém, ele esperneia de fome. A história termina com os pais cedendo o petisco desejado. “É uma fase difícil, que requer paciência. Caso contrário, a criança se acostumará com esse hábito beliscador”, diz a nutricionista Renata Bressan, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). “Se ela não quiser o almoço, por exemplo, deve aguardar o lanche”, orienta.

E, se rolar chororô, não amoleça. Acredite: é melhor para seu filho. Cientistas da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, acompanharam 150 bebês até os 9 anos e meio e viram que a birra em relação à comida está entre os fatores que mais engordam a molecada.

3. Não trate o doce como recompensa

Prometer um brigadeiro como sobremesa é uma das estratégias mais clássicas para fazer o filho bater um pratão. Mas os experts alertam que usar o alimento como forma de premiar ou punir é um erro bem grave. “Essa atitude prejudica a relação das crianças com a comida”, afirma a nutricionista Ana Beatriz Barrella, da RG Nutri Consultoria, em São Paulo. Ora, o pequeno entenderá que o prato de arroz, feijão, salada e carne é tão ruim que ele até ganha um doce como troféu.

Ou vai se empanturrar, mesmo satisfeito, só para não ficar sem a guloseima – que nem devia fazer parte da rotina. Segundo estudiosos da Universidade Aston, no Reino Unido, o comportamento também eleva o risco de as crianças recorrerem à comida para lidar com suas emoções ao longo da vida — algo que favorece a obesidade.

4. Desligue a tv e vá para a mesa

Posicionar a molecada diante de telas até faz as porções de comida entrarem na boca despercebidas. Só que essa tática cobra um preço. “A criança não aprende a perceber a saciedade. Aí come mais do que precisa, hábito péssimo que é levado para a vida toda”, diz a nutricionista Gisele Raymundo, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). O correto é colocar o pequeno na mesa junto à família — nem que seja uma vez ao dia.

Além de prestar atenção aos alimentos, ele pode seguir o exemplo dos pais. Já percebeu que muitas vezes a criança chega a pedir o prato de um familiar? “Se for o caso, troque com o filho. Até para mostrar que é a mesma comida”, ensina Ana. Claro: a refeição de todos deve ser balanceada. Se o pai faz cara feia para a alface, não pode esperar outra coisa do rebento.

5. Vai ter bagunça. Seja paciente

Acomodar meninos e meninas em volta da mesa é o primeiro passo. Depois, tem que aceitar o fato de que os mais novinhos não têm uma coordenação tão aprimorada assim. “Eles querem pegar a comida com a mão mesmo. E isso faz parte do aprendizado”, justifica a pediatra Virgínia Weffort, presidente do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A colherinha pode ficar ao lado, à disposição para treinos.

Mas o legal é permitir que a garotada sinta textura, temperatura e forma da comida. A sujeira, não tem jeito, acompanha esse processo. E quer saber? Respire fundo e deixe rolar. “Se os pais se estressarem e brigarem por causa da bagunça, a criança relacionará o momento da refeição a brigas e conflitos”, alerta a professora da PUCPR. Daí a mesa vira campo de guerra.

6. Ofereça mais de uma vez

“Meu filho não come isso.” Quantas vezes você já soltou essa frase? Agora, seja honesto: quantas vezes ofereceu o tal alimento? Se a resposta for menos de 15, estudos mostram que não é possível cravar o desgosto por esse item. E não adianta servi-lo sempre da mesma maneira. “A cenoura, por exemplo, pode ir à mesa em forma de salada ralada e crua ou cozida. Também dá para fazer suco ou incluir na carne moída refogada”, descreve Gisele.

Ela só pede para não camuflar o vegetal. “A relação de confiança é muito importante”, reforça. A pediatra Virgínia lembra ainda que quanto mais cedo a criança deparar com essa diversidade, melhor. Isso porque lá pelos 2 ou 3 anos é natural rejeitar ingredientes novos – situação chamada neofobia. E, se o paladar estiver apurado, os pais sofrerão menos nessa fase.

7. Estabeleça uma rotina alimentar

É importante a criança entender que precisa fazer café da manhã, lanche… “Agora, se o almoço acontecerá ao meio-dia ou às 13 horas, tanto faz”, diz Rachel Machado, do Centro de Dificuldades Alimentares do Sabará. Ela conta que, por muito tempo, defendeu-se o estabelecimento de um horário rígido para cada refeição. “Hoje acreditamos que esse modelo não respeita a fome da criança”, esclarece.

O que também não significa que está ok servir o almoço lá pelas 16 horas – aí já é hora do lanche. O crucial, segundo Rachel, é não deixar a criança passar mais de três ou quatro horas de estômago vazio. Inclusive porque isso leva aos beliscos pouco saudáveis. Mas, se precisar atrasar o jantar um tiquinho para que essa refeição seja feita em família, o motivo é mais do que justo.

8. Inclua a criança nas escolhas

Considere o supermercado e a feira como aliados. O interesse por comida muitas vezes surge nesses ambientes, já que vários alimentos nem são conhecidos pela molecada.

Ora, imagine pais que não gostam de uva. Dificilmente ela aparecerá na fruteira, certo? “E a ocasião das compras é a oportunidade de as próprias crianças olharem para esses alimentos, ficarem curiosas e desejarem provar”, raciocina Ana, da RG Nutri.

Em casa, outra atitude esperta é chamar o filho para participar do preparo. Em pesquisa com crianças de 6 a 10 anos, uma equipe do Centro de Pesquisa Nestlé, na Suíça, notou que quem topou auxiliar os pais comeu 41,7 gramas a mais de salada em relação à turminha que aguardou o prato pronto. “Lavar as folhas é uma tarefa simples e que já pode dar vontade de experimentar”, diz Virgínia.

9. Não peça para raspar o prato

Está aí algo que ultrapassa gerações: não basta o filho comer, ele precisa comer tudo. Pois esse comportamento é totalmente reprovado pelos especialistas. “Isso faz a criança não respeitar o sinal de saciedade. Com o tempo, ela perde o controle nesse sentido”, analisa Renata, da Abeso. E aí as consequências são desastrosas, como mostra um trabalho da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

Nele, foram entrevistados 497 pais de crianças com 2 ou 3 anos. Ao analisar os dados, os cientistas perceberam que pedir para raspar o prato ou dar “mais três colheradinhas” eleva o risco de obesidade entre meninos e meninas. Fora que muitos adultos montam refeições enormes, incompatíveis com o tamanho do filho. “O ideal é colocar pouco. Se a criança quiser mais, pedirá”, garante Gisele.

Fonte: Saúde Abril

Edição: A.N.

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