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Próxima referência, por favor!

Como muitos sabem, durante uma prova de rally, o navegador vai passando referências para o piloto sobre o trajeto, as condições da pista etc.

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Publicado em: 21 de agosto de 2017

Eu me sinto privilegiado por ter escolhido empreender e trabalhar com empreendedores. Por causa dessa opção, tenho a oportunidade de conviver com pessoas verdadeiramente inspiradoras. Elas trazem ensinamentos que podem (e devem) ser aplicados não só nos negócios, mas também na vida. Um dos empresários que admiro é Wilson Poit, fundador da Poit Energia, vendida recentemente para a Aggreko por R$ 400 milhões. Ele pratica rally com seu filho Vinícius há pelo menos 12 anos. Outro dia, me contou o que aprendeu com a dinâmica desse tipo de competição, onde ele atua como navegador, e o filho como piloto. Um dos principais ensinamentos, segundo ele, leva o nome de “Próxima referência, por favor!”.

Como muitos sabem, durante a prova o navegador vai passando referências para o piloto sobre o trajeto, as condições da pista etc. Por conta da adrenalina ou da dificuldade da competição, não é incomum que, em algum momento, aconteça um problema de comunicação, ou que um dos dois parceiros cometa um erro. Muitas vezes, esse tropeço gera um clima de tensão tão grande que pode levar a uma briga, ou então provocar um mal-estar que se estenda até o final da corrida.

É nessa hora que um dos dois deve mudar o foco e gritar: “Próxima referência, por favor!”. A frase funciona como uma espécie de código, com significados múltiplos: 1. vamos deixar o que aconteceu para trás; 2. não vale a pena gastar energia com brigas desnecessárias ou buscando um culpado; 3. é hora de corrigir o erro e seguir em frente; 4. vamos recuperar o sentido de equipe e nos concentrar no resto da corrida. Com o clima de companheirismo restabelecido, eles conseguem chegar com sucesso ao final da competição. Só depois de terminado rally os dois se reúnem, conversam sobre as falhas e procuram alternativas para que o problema não se repita no futuro.

Poit me disse que esse tipo de experiência, além de ter sido valiosa para a construção de seu relacionamento com o filho, foi extremamente útil no desenvolvimento do negócio, principalmente em momentos de crise – tanto que ele adotou a frase “Próxima referência, por favor!” nas reuniões com o seu time. Quando empreendemos, não podemos ter a ilusão de que as trilhas serão sempre seguras e sinalizadas. Ao contrário, os caminhos serão tortuosos, esburacados e cheios de desafios. Por vezes, a adrenalina nos impedirá de pensar com clareza.

Em outros momentos, teremos pilotos e navegadores que poderão errar, comunicar-se de forma equivocada ou até mesmo ser pegos de surpresa por fatores externos. Nessas horas, pode ser que o dono do negócio tenha a sensação de que sua vida está em risco, de que poderá sucumbir financeiramente ou fisicamente. Algumas pessoas ficam depressivas, outras em estado de choque e há ainda as que se tornam agressivas e irracionais.

Caso isso aconteça com você, lembre-se de algumas características dessa modalidade de esporte que é o empreendedorismo. Um campeonato não se ganha nem se perde por conta de uma única prova. Os acertos e erros de cada competição devem ser trabalhados para a melhoria contínua da equipe. Há momentos de planejar, de implementar e de aprender com os erros e acertos. O campeão não é o mais rápido, mas sim o mais regular e consistente. Quanto mais focado, mais chances você terá de vencer.

Finalmente, quando o desespero bater, é a hora de respirar fundo e pensar no ensinamento dado pelo meu querido Wilson Poit: “Próxima referência, por favor!”

Autor: Carlos Miranda

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

Enviada por J.C.

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