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Tasy: transtornos nas rotinas de atendimento continuam

Após a implantação, o que se observa é uma sequência de instabilidades que vêm comprometendo o bom andamento das rotinas de atendimento.

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Publicado em: 07 de junho de 2017

Última atualização: 07/06/2017

Há cerca de cinco meses, um novo sistema de gestão hospitalar entrou em funcionamento para gerenciar todos os processos de atendimento do Grupo Med Imagem. O Tasy, produto da marca Philips, foi implantado com o objetivo de garantir integração e segurança dos setores, interligando todas as áreas da empresa, proporcionando, desta forma, otimização dos processos, eliminação do desperdício e do retrabalho e aumento da produtividade.

No entanto, após a implantação, o que se observa é uma sequência de instabilidades que vêm comprometendo o bom andamento das rotinas de atendimento. Por se tratar do gerenciamento de vários setores de um grande e complexo serviço de saúde, qualquer problema pode gerar sérios impactos na assistência.

Exames

No setor de exames de imagem, foi detectada sobreposição de exames no momento da documentação fotográfica dos procedimentos. O setor de TI da Med Imagem recebeu vários chamados que alertavam sobre graves aberrações, como o caso de uma imagem de endoscopia que apareceu na página impressa de uma ultrassonografia da região da tireóide, gerando apreensão entre os profissionais. Inúmeras outras ocorrências semelhantes vêm sendo observadas. 

 

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A foto mostra a imagem de uma endoscopia em meio a uma tela de ultrassonografia de tireoide

Consultas

Um dos maiores problemas do sistema está na realização de consultas. “Você procura o histórico do paciente no sistema e muitas vezes não encontra”, explica a coordenadora do setor de urologia, Rakelli Alencar.

“Para fazer recebimento do valor da consulta e dar baixa no sistema, enfrentamos uma lentidão muito grande, levando até 6 minutos só para impressão do recibo do paciente. Ainda na tesouraria, a lentidão é imensa para gerar um título e lançar o número da nota”, completa outra funcionária. 

Muitos médicos se queixam sobre a nova ferramenta. “Já ouvimos profissionais dizendo que se sentem obrigados a dar mais atenção ao sistema do que ao próprio paciente”, afirma a coordenadora do ambulatório. 

Além disso, com a lentidão excessiva e os frequentes “travamentos” do Tasy, alguns médicos preferem prescrever medicamentos aos clientes de forma manual. “Muitos médicos estão relatando que preferem prescrever manualmente em vez de usar o sistema, pois fazer a receita à mão muitas vezes é mais rápido”, afirma a administradora da Med Imagem, Rosângela Aquino.

Emissão de laudos radiológicos

Os médicos radiologistas, responsáveis por emitir os laudos dos exames radiológicos, também estão tendo problemas com a nova ferramenta. “A instabilidade e burocracia do Tasy tem dificultado muito a nossa rotina”, explica o radiologista Dr. Nilson Bandeira.

“Enquanto no sistema anterior eu precisava seguir apenas três passos para laudar um exame, sem utilizar o mouse, no Tasy eu tenho que seguir seis passos, levando um tempo três vezes maior. Além disso, a cada 20 laudos emitidos, o Tasy trava e é necessário fechá-lo, para começar tudo de novo, levando mais tempo para dar andamento ao trabalho”, comenta.

Digitação

Na parte de digitação, houve atraso nas rotinas em decorrência de falhas apresentadas pelo Tasy. Etiquetas sendo impressas de forma invertida e múltiplos laudos enviados pelos médicos radiologistas chegando completamente fora de ordem, atrasando desta forma, a entrega dos exames. “O sistema trava a cada cinco segundos, o que nos obriga a reiniciar os computadores, atrasando todo o nosso trabalho”, explica a coordenadora do setor de digitação, Genira Reis.

Faturamento

O faturamento da Med Imagem é dos setores que mais tem sofrido com o mal funcionamento do Tasy. Os problemas identificados também possuem relação com a lentidão no sistema. “No faturamento, nós trabalhamos com prazos. E há casos em que temos que ficar até meia-noite entregando fechamentos de faturas atrasadas. Durante esse processo, temos mais trabalho fechando telas que mostram coisas estranhas ao nosso setor, gerando demora e estresse”, relata a faturista Jaqueline Nunes.

“É impossível mandar as faturas em dia e não gerar glosas, se o sistema trava o todo tempo. E para iniciar novamente a função, demora mais de 10 minutos. Para cada conta que deve ser enviada, são mais de 5x que é preciso fechar o sistema”, relata outra colaboradora.

Já no faturamento do Hospital Prontomed, os problemas têm gerado prejuízos por conta de informações sobre pagamentos médicos sendo processadas de maneira errada pelo sistema. “O sistema ‘mistura’ taxas do hospital junto com os honorários médicos. Ao final do processo, o médico recebe um valor acima do estipulado e o hospital fica no prejuízo, gerando muitos transtornos”, explica a coordenadora do faturamento do Hospital Prontomed, Socorro Feitosa.

Urgência 24h

Na urgência do Hospital Prontomed Adulto, as quedas no sistema prejudicam o fluxo de atendimento. “Já aconteceu de estarmos em um momento de pico de pacientes aguardando atendimento e o Tasy parar de funcionar por meia hora. Isso fez com que a equipe tivesse que reiniciar todos os computadores para reiniciar o sistema, atrasando assim todo o fluxo de atendimento. Quando se trata de um ambiente de urgência, cuja a essência é a de proporcionar uma assistência rápida, um problema como esse se torna mais prejudicial”, destaca a gerente de enfermagem Jéssica Ulisses do Nascimento.

Prescrições

Ainda na parte de urgências, a equipe médica tem dificuldades em emitir prescrições de medicamentos, atrasando a medicação de pacientes, gerando lentidão e estresse. Além disso, há ocorrências de prescrições sendo emitidas com a data diferente da que está em vigor.

Requisições de exames

O Tasy não especifica todos os exames realizados pela Med Imagem, sem dar ao médico a opção de realizar o seu pedido com precisão. A médica Dra. Bruna Eulálio conta que solicitou um exame ultrassonografia pélvica para uma paciente grávida. No final, o pedido encaminhado ao plano de saúde era de uma tomografia de pelve (gestantes não podem fazer o exame). 

Cadastros de exames

No sistema antecessor do Tasy, o cadastro de um exame de imagem durava em média 18 segundos. Com o Tasy, esse tempo subiu para 2 minutos e 30 segundos. “Para se fazer um exame de raios-x, o cliente levava em média 40 minutos entre cadastro e realização. Agora, um paciente chega a passar mais de duas horas”, afirma o coordenador do setor de recepção do térreo, Silvester Soares.

Emissão de relatórios

Ao gerar relatórios estatísticos, o Tasy também deixa desejar. Segundo a coordenadora de enfermagem da Med Imagem, Ladyane Lacerda, o sistema fornece dados irreais quando é acionado para emitir relatórios que quantificam números de exames realizados. “Ao usar os filtros do sistema para saber quantos exames de ressonância magnética foram feitos em um determinado período de tempo e em determinados horários, obtive um relatório que não condiz com a realidade”, explica.

Licença 

Para gerar mais agilidade no atendimento, o Tasy poderia ter à disposição do usuário a abertura de janelas no sistema, com o intuito de possibilitar ao mesmo a checagem de relatórios e lista de pacientes ao mesmo tempo, por exemplo. Porém, essa função é apenas permitida pelo Tasy com o pagamento de outra licença paga pela empresa, no caso, a Med Imagem.

Diferença no convívio do usuário

Diante de todas as queixas, observa-se que o Tasy proporciona uma experiência hostil de uso, quando comparada ao sistema anterior, o Sisac. São muitas telas e processos mais demorados, gerando um atendimento mais lento e muitas vezes, estressante para os clientes, bem como para os usuários do sistema. O setor de Ouvidoria da Med Imagem tem recebido diversas reclamações de clientes acerca da demora no atendimento.

“O Tasy foi oferecido ao Grupo Med Imagem como uma solução, porém, nos foi entregue um grande problema”, lamenta o diretor-presidente do Grupo Med Imagem, José Cerqueira Dantas.

Comentários

Thiago Marcondes

08 de junho de 2017

Tenho algumas considerações:

1) Sobre farmácia e suprimentos não houve relatos.

2) no caso do faturamento acredito ter sido falha na implantação, pois não há tantos problemas assim.

3) no repasse médico falou sobre confusão entre procedimento e taxa. Com certeza foi regra mal feita. Mais uma vez a consultoria foi de má qualidade.

4) no texto não fiz nada, mas devem usar o Java e por isso o problema de lentidão. Nesse caso a Philips precisa melhorar e muito.

Para os itens 2 e 3 a Philips precisa avaliar os consultores e as empresas que prestam consultoria, como a HQS, para fornecer qualidade​aos clientes.

O tasy não é esse monstro relatado no texto.

Weberson

09 de junho de 2017

Desculpe a sinceridade, mas só vejo 2 problemas:
* Falta de capacitação e conhecimento do produto por parte da equipe de TI e também dos gestores / usuários finais: Tasy sem uma equipe que conheça fica dessa forma que vocês estão expondo. 90% dos pontos citados podem ser resolvidos internamente. Uma característica do Tasy é dar independência ao setor de TI para ajustar parâmetros, desenvolver / alterar relatórios e indicadores existentes, porém, sem conhecimento técnico do produto, vira uma bomba relógio.

* Pós vendas: A Philips peca demais no pós vendas. As implantações não são validadas e isso acaba gerando clientes insatisfeitos como vocês, que, apesar de possuírem sim uma solução de alto nível, não tiveram uma implantação responsável.

É triste ver um produto como o Tasy sendo usado nessas condições.


Paulo Eduardo

09 de junho de 2017

Um Sistema de gestão Hospitalar enjambrados para uma clínica de Diagnóstico de Imagem, tem responsabilidades de ambas as partes neste texto, na questão dos processos internos, nas validações das parametrizações, na homologação dos testes pilotos, na oficialização de uso.

É impossível o Sistema rodar com tantos problemas sem as devidas validações, se implantam de qualquer maneira e não realização os processos de homologação fica essa bomba mesmo.

Renato E. Mendes Jr.

09 de junho de 2017

Amigos, trabalho em hospital que utilizava antes o sistema Medview da WPD depois virou Agfa, que por sinal o sistema era ótimo. Sempre utilizamos sistemas hospitalar e prontuário eletrônico, ou seja, tínhamos a cultura de utilizarmos sistemas, mas depois que trocaram para o Tasy, as nossas vidas também viraram um inferno. Só quem vive o dia a dia pra entender o que a Medimagem está passando.

É muito mais fácil dizer que a TI ou hospital são responsáveis pelo fracasso da implantação.

Para uma instituição como a Medimagem estar publicado um relato como esse, com certeza é gravíssimo o que está ocorrendo.

Mauro Vilarinho

21 de junho de 2017

Hoje temos em nossos hospitais o Medview da Agfa! Esta foi minha segunda implantação de sucesso com essa empresa. Não existirá implantação sem problemas em uma solução desta complexidade, mas para quem já sofreu com implantação de MV e Tasy, posso lhes garantir que são incomparáveis além da usabilidade da ferramenta que entregou mais benefícios do que foi oferecido!

Não tive tantos problemas assim com Tasy, mas após trabalhar com o Medview e ainda pagar menos por isso, posso dizer que Philips e MV estão muito atrás da Agfa

Vinicius

23 de junho de 2017

Melhor saída é desenvolver seu próprio produto!

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