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Relógio da Apple acha sua vocação na medicina

Com lançamento de nova versão com 4G, empresa abriu espaço para inovação no setor. Uma revolução digital na área da saúde já era prevista há anos e, até agora, vimos mais entusiasmo do que avanços.

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Publicado em: 08 de janeiro de 2018

Nos seus últimos meses de vida, Steve Jobs, cofundador da Apple, lutou contra o câncer e o diabetes. Como detestava tirar sangue para os exames, Jobs autorizou uma equipe de pesquisa da Apple a desenvolver um leitor de glicose não invasivo e com uma tecnologia que poderia, potencialmente, ser integrada a um relógio de pulso. Esta era uma das muitas aplicações médicas que a Apple pretendia para o Apple Watch, lançado em 2015. Mas como muitos aparelhos com objetivos médicos acabaram por não cumpri-los, gastavam muita bateria ou tinham tamanho grande, a companhia acabou direcionando o relógio para monitorar atividades físicas e notificações. Quase três anos depois, a Apple agora está encontrando uma finalidade médica para o aparelho.

Em setembro, a companhia anunciou que o Apple Watch não mais precisaria estar conectado a um smartphone e se tornaria um aparelho autônomo. A partir daí, várias fabricantes desenvolveram acessórios médicos para o produto – como um aparelho de eletrocardiograma para monitorar problemas cardíacos crônicos.

O que vem ocorrendo com o Apple Watch é um dos primeiros sinais do grande avanço na utilidade nos aparelhos chamados “vestíveis”. “Esse é um passo importante na evolução dos vestíveis”, afirma Tim Bajarin, presidente da Creative Strategies, empresa de pesquisa e assessoria. “O Apple Watch agora pode oferecer o tempo todo esse monitoramento médico.”

O Apple Watch superou a concorrência no mercado de relógios inteligentes, mas não é considerado um produto inovador, como foram o iPod, o iPhone e o iPad. A companhia não divulga dados sobre as vendas do relógio, mas elas cresceram 50% em relação ao ano anterior, por três trimestres consecutivos.

Revolução
Uma revolução digital na área da saúde já era prevista há anos e, até agora, vimos mais entusiasmo do que avanços. Mas a esperança é de que os sistemas de inteligência artificial examinem em detalhes os enormes volumes de dados que os acessórios médicos coletarão do Apple Watch e encontrem padrões que poderão mudar o tratamento e detecção de doenças. Isso vai permitir às pessoas um maior controle no monitoramento de seus problemas de saúde, em vez de depender apenas dos médicos.

Vic Gundotra, ex-vice-presidente do Google e hoje diretor executivo da AliveCor, startup que fabrica aparelhos de eletrocardiograma portáteis, afirma que os dispositivos colocarão os pacientes em pé de igualdade com os médicos porque eles terão mais informações sobre sua saúde. “Muda o caráter da relação entre médico e paciente”, disse ele, acrescentando que “o médico não será mais o sumo sacerdote”.

No mês passado, a AliveCor lançou uma pulseira para o Apple Watch com um monitor EKG portátil para detectar atividade cardíaca irregular, como fibrilação atrial, uma causa potencial do acidente vascular cerebral (AVC). A empresa usa o monitor do relógio para alertar os pacientes a fazer um eletrocardiograma quando seu pulso acelera ou desacelera inesperadamente.

A pulseira, conhecida como KardialBand, foi o primeiro acessório do Apple Watch aprovado pela agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA, a FDA.

A consultora Elena Remus, de 36 anos, já experimentou. Ela sentiu palpitações, olhou o relógio e viu que o ritmo das batidas do coração havia subido de 75 para 205 em um minuto. Ela registra a atividade cardíaca com o relógio, permitindo ao médico diagnosticar o problema facilmente. “Sinto que não estou sozinha em casa”, afirmou ela.

A Apple também está concentrada nos seus próprios avanços no campo médico. No mês passado, ela anunciou um estudo de pesquisa em conjunto com a Escola de Medicina da Universidade de Stanford para saber se os sensores do ritmo cardíaco do Apple Watch conseguiriam detectar a atividade irregular do coração sem um eletrocardiograma para notificar as pessoas que poderiam estar tendo uma fibrilação atrial.

A companhia examina também a possibilidade de incorporar um aparelho de eletrocardiograma nos futuros modelos do relógio. O produto necessitará de aprovação da agência reguladora de alimentos e medicamentos nos EUA, a FDA. Separadamente, ela continua a pesquisa de um leitor contínuo de glicose, não invasivo. O projeto ainda levará anos, segundo especialistas do setor.

A atual solução adotada por muitos diabéticos também tem a ver com o Apple Watch. A Dexom, fabricante de aparelhos de medição dos níveis de açúcar no sangue, está aguardando aprovação da FDA para um monitor contínuo de glicose que deve funcionar com o relógio inteligente. Eles usam pequenos sensores para perfurar a pele e rastrear o nível de açúcar no sangue do paciente.

Profissionais da área de saúde afirmam que existe o risco do excesso de informação. Um enorme volume de dados, embora útil, pode também sobrecarregar o médico em vez de ajudá-lo a tomar decisões. “Um aparelho vestível não é como um médico”, disse o Khaldoun Tarakji, médico da Cleveland Clinic. “Temos de ser inteligentes quanto à maneira de usar essas novas tecnologias.”


Fonte: Estadão
Edição: F.C.

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