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Os refrigerantes sem açúcar também engordam?

O efeito das bebidas com edulcorantes gera controvérsia científica, mas os refrescos 'light' ou 'zero' não ajudam em nada a levar uma alimentação saudável.

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Publicado em: 31 de maio de 2017

No momento que há discussões sobre medidas fiscais que planejam taxar as bebidas açucaradas com um imposto especial, uma recente meta-análise lança dúvidas sobre os produtos com adoçantes e sem açúcar que, de alguma forma, surgem como parte da solução, e conclui que o consumo de bebidas com adoçante — sim, sem açúcar — também está associado a um maior risco de obesidade. Os primeiros a abordarem a questão diante da cruzada contra o açúcar foram os fabricantes. Nas duas últimas décadas — e atualmente —, a indústria concentrou parte de sua publicidade sobre os supostos benefícios do consumo de refrigerantes onde o açúcar é substituído por adoçantes sem calorias.

Bebidas cuja denominação comercial está associada a expressões como “zero”, “light”, “sem açúcar” e assim por diante. O suposto valor das bebidas com adoçantes concentra-se na ausência de calorias ou pelo menos em ter muito menos do que o produto original. Assim, seria possível limitar o consumo de calorias extras, conhecidas como ‘vazias’ e associadas há anos de forma bastante conclusiva ao risco de obesidade (juntamente com outros condicionantes do estilo de vida).

Por isso, em teoria, dispensar as calorias das bebidas açucaradas e substituí-las por versões com adoçantes parece ter apenas vantagens. Especialmente para uma sociedade educada desde seu nascimento com a explicação do balanço energético: engordamos quando consumimos mais calorias do que gastamos e, inversamente, emagrecemos quando gastamos mais calorias do que as que ingerimos com os alimentos. Parecia simples. Mas acontece que não é.

Nos últimos anos, vários estudos, com diversas metodologias, se concentraram em estudar a relação entre bebidas açucaradas com uma das variáveis que mais obceca consumidores: o peso. O mais recente deles é “Açúcar e bebidas adoçadas artificialmente e sua relação com a obesidade: uma revisão sistemática e meta-análise” (Sugar and artificially sweetened beverages linked to obesity: a systematic review and meta-analysis), cujos resultados podem ser lidos com pouca sombra de dúvida: “Nosso estudo demonstrou uma associação significativa dos refrigerantes açucarados e daqueles com adoçantes com a obesidade. Este achado aumenta o conhecimento sobre o tema e destaca os efeitos clínicos negativos tanto das bebidas açucaradas quanto das com adoçantes em sua relação com o risco de obesidade”.

Um estudo intitulado "Revisão dos benefícios e riscos nutricionais dos adoçantes" (Review of the nutritional benefits and risks related to intense sweeteners) conclui: “Os inúmeros estudos disponíveis não oferecem provas de que o consumo de adoçantes artificiais utilizados como substitutos do açúcar aporte maiores benefícios em relação ao controle de peso, a regulação da glicose no sangue em pacientes diabéticos nem a incidência da diabetes tipo 2”.

Além disso, o texto afirma que “não se deveria recomendar o uso de refrigerantes açucarados nem de bebidas adoçadas artificialmente como substitutos da água”.

Ao mesmo tempo, há outros trabalhos que já equilibraram a utilidade dos adoçantes sem calorias dentro dos refrigerantes. O estudo “Adoçantes de baixa caloria e sua relação com o peso e a composição corporal: uma meta-análise de ensaios clínicos aleatórios e estudos prospectivos em grupo” (Low-calorie sweeteners and body weight and composition: a meta-analysis of randomized controlled trials and prospective cohort studies) determina que “o uso dos adoçantes de baixa caloria oferece uma perda de peso modesta e, por isso, eles poderiam ser uma ferramenta útil para a perda de peso e sua manutenção dentro de uma estratégia geral com este fim”. 

Tomar uma decisão única tão simples como optar pelos adoçantes sem calorias em vez do açúcar nos refrigerantes com o fim de modificar uma questão complexa – emagrecer ou não ganhar peso – não costuma ter resultados imediatos. A obesidade é uma doença-transtorno-situação – escolha a definição que melhor lhe convença – com amplas implicações genéticas, metabólicas, sociais e culturais.

Para além da polêmica científica, parece mais que provável que a maioria da população tenha passado para as bebidas sem açúcar o chamado efeito de halo. Esse fenômeno ocorre quando a inclusão de um elemento considerado saudável – ou, neste caso, sem calorias – influi de maneira errônea quando se compara com a natureza menos saudável (calórica) do resto dos componentes de um alimento.

Outros o chamam de “efeito sacarina”, e é possível que você já tenha sido vítima dele ao pedir uma torta de chocolate acompanhada por um café com leite desnatado e com adoçante – um autoengano bastante comum. No caso de hoje, seria o mesmo que comer um saco de salgadinhos, uma porção de salada e duas de batatas fritas com três refrigerantes zero, enquanto assiste pela televisão o jogo de seu time favorito.

Não se engane: a inclusão de refrigerantes em sua dieta habitual, com ou sem açúcar, não ajuda em nada a adotar um padrão de alimentação adequado – algo que decididamente afetará tanto o seu peso quanto a sua saúde.

Fonte: ElPais
Edição: F.C.

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