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ARTIGOS

Câncer de Mama e atividade física

A atividade física regular de intensidade moderada a forte faz parte do rol de prevenção primária do câncer de mama.

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Publicado em: 12 de dezembro de 2016

Vários estudos já comprovaram a relação entre obesidade e aumento da probabilidade de desenvolvimento de câncer de mama. Essa relação existe devido ao aumento da produção de hormônios que propiciam o câncer de mama, como estrogênio e insulina, pelas células adiposas. Portanto, a atividade física possui efeito indireto ao promover a diminuição da obesidade. Outros mecanismos têm sido descritos pelos cientistas, tais como controle de inflamação pelo organismo que propiciam o aparecimento de células neoplásicas e a inibição da neogênese de vasos sanguíneos que nutrem a neoplasia.

Meta-análises e revisões sistemáticas da literatura publicadas nos últimos anos revelaram o impacto dos exercícios físicos na prevenção de diversos tipos de câncer, incluindo o de mama. Esses estudos apontam que as mulheres com menor probabilidade de desenvolver câncer de mama praticavam atividade física sete ou mais horas por semana, em ritmo de intenso a moderado. Com base nesses achados, a Sociedade Americana de Câncer recomenda pelo menos duas horas e meia de malhação por semana. A mulher teria que suar bastante a camisa para obter o benefício da prevenção primária. Portanto, não adianta ficar caminhando pelos parques sem um gasto calórico expressivo. Mesmo a recomendação mais branda da Sociedade Americana de Câncer exige vigor na prática da atividade física.

Obviamente, não adianta só malhar e comer o que quiser. Atividade física não é moeda de troca para uma alimentação mais calórica. O benefício para o controle do peso e para prevenção de câncer deve ser obtido não só pela prática regular de atividade física moderada a intensa, mas também com a associação de dieta balanceada e saudável, evitando principalmente gorduras e açúcar. Em todo esse contexto, orientações profissionais para exercícios e para reeducação alimentar ajudam muito.

Para mulheres portadoras de câncer de mama e que estejam em tratamento, a prática de atividade física durante esse período deve ser estimulada pelos médicos. Os estudos mostram que as mulheres em tratamento com radioterapia ou quimioterapia e que praticavam atividade física em intensidade ao menos moderada, de três a cinco horas por semana, obtiveram resultados de tratamento melhor, tiveram menos fadiga, náuseas e depressão e, ainda, concluíram o tratamento com melhor autoestima do que as pacientes sedentárias. Além disso, o exercício físico nessa situação ajuda a paciente a relaxar, a pensar menos na doença e auxilia na qualidade do sono.

Claro que, ao iniciar um programa de atividade física tanto para prevenção como durante o tratamento, as mulheres devem fazer uma avaliação médica completa para verificar suas condições físicas, que, por sua vez, nortearão frequência e a intensidade dos exercícios.

Portanto, no bojo das campanhas de prevenção do câncer de mama, a ordem é botar o corpo para se movimentar.

Autor: Dr. Robson Ferrigno

Médico rádio-oncologist em São Paulo e membro titular da CBR

Enviada por J.C.

Edição: A.N.

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